Patrimônio industrial e memória cultural:
O legado cerâmico na configuração da paisagem mogiana
DOI:
https://doi.org/10.5821/id.13805Resumen
Este artigo investiga a atividade industrial ceramista na paisagem mogiana, região sudeste do Brasil, analisando seus remanescentes no território e seu papel na formação da memória coletiva. O estudo enfoca o surgimento das olarias artesanais, o período de consolidação da produção pré-industrial ao desenvolvimento da grande indústria de insumos para a construção civil entre 1930 e 1980. A partir desta década, quando se dá o início do desmonte das estruturas fabris, observa-se os efeitos da desindustrialização sobre a configuração urbana e rural e a presença de remanescentes desta cultura material na construção civil. O objetivo é compreender como vestígios como chaminés, fornos e ruínas fabris articulam memória, identidade e experiência do lugar, evidenciando a cerâmica não apenas como produto econômico, mas como expressão cultural. Busca-se compreender de que maneira a cerâmica, enquanto produto industrial e expressão cultural, contribui para a formação da identidade regional, tornando-se elemento importante para a preservação da memória coletiva e para a configuração da paisagem contemporânea mogiana. O presente estudo investiga tais vestígios por meio de abordagem qualitativa, que combina levantamento documental, iconográfico, pesquisa de campo e análise espacial fundamentada nas contribuições da fenomenologia do lugar e da paisagem cultural. Destaca-se a relevância de considerar essas estruturas como parte ativa da paisagem contemporânea, permitindo ressignificar a relação entre passado industrial, cultura material e experiência urbana.
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